Voluntariado no Mundo
Brasil está entre os 10 países com maior número de voluntários
Estudo realizado pela organização britânica Charities Aid Foundation – CAF, o “World Giving Index 2012 – A global view of giving trends”. mostra que o Brasil, embora ocupe apenas a 83ª posição no ranking dos países mais generosos em doações (liderado pela Austrália), está entre os dez países com o maior número de voluntários – cerca de 18 milhões.
O “World Giving Index 2012 – A global view of giving trends”, que no Brasil é divulgado pelo IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), é o maior levantamento sobre o tema em nível internacional. Para estabelecer o índice, foram entrevistadas em 2011 mais de 155 mil pessoas para responder a pergunta se, no mês anterior à pesquisa, fizeram alguma das seguintes práticas:
doação de dinheiro para alguma entidade ou pessoa,
doação de tempo como voluntário para uma organização e ajuda a uma pessoa desconhecida.
A porcentagem de indivíduos entrevistados que fez cada uma dessas ações foi somada e dividida por três. A média obtida serviu para obter o resultado de cada país, e esses valores foram colocados em um ranking. Ele traz ainda que cerca de 65 milhões de brasileiros ajudaram um desconhecido no último mês e 35 milhões contribuem financeiramente com causas sociais.
Classificação |
País |
Pessoas(m) |
1º |
Índia |
165 |
2º |
Estados Unidos da América |
143 |
3º |
Indonésia |
126 |
4º |
China |
109 |
5º |
Tailândia |
39 |
6º |
Reino Unido |
37 |
7º |
Japão |
36 |
8º |
Brasil |
35 |
9º |
Alemanha |
31 |
10º |
Iran |
29 |
Globalmente, durante os ultimos cinco anos, os homens têm se mantido ligeiramente mais engajados em tempo voluntariado do que as mulheres. No entanto, esta lacuna modesta nos dois níveis de participação no tempo voluntariado diminuiu. A diferença de quase três pontos percentuais em 2007 reduziu para pouco mais de um ponto percentual de diferença em 2011.
Homens e mulheres viram uma diminuição acentuada no seu voluntariado em 2009. Mais recentemente, a participação em ações de voluntariado caiu novamente em 2011, em relação a 2010, para ambos os sexos. O número real de homens engajados caiu em 76 milhões entre 2010 e 2011, eo número de mulheres, por 28 milhões.
No Brasil 27% dos entrevistados disseram ter praticado algum tipo de solidariedade, o que fez o país ficar em 83º lugar no ranking, logo abaixo de Camarões, Estônia, Kosovo e Eslováquia e logo acima de Congo, Japão, Paquistão e Arábia Saudita. A lista dos mais solidários é liderada por anglosaxões: Austrália, Irlanda, Canadá, Nova Zelândia e Estados Unidos.
Nas últimas posições estão China, Ruanda, Togo, Albânia, Grécia e, na lanterna, Montenegro. Como em várias outras nações, no Brasil a prática mais comum é ajuda a uma pessoa desconhecida (44% dos entrevistados disseram ter feito isso no mês anterior à pesquisa). Os que realizaram doações financeiras representam 24% do total e os que se dedicaram ao voluntariado, 12%. O resultado não diverge muito do World Giving Index de 2011, em que o país ficou na 85ª posição.
Na ocasião, 29% dos brasileiros se mostraram solidários, novamente com destaque para ajuda a desconhecidos (48%) e contribuição financeira (26%); 14% haviam dedicado tempo ao voluntariado. A melhor posição brasileira foi a de 2010 (76º).Como a população nacional é expressiva, em números absolutos (quando se extrapola a amostra para todos os habitantes do país) o Brasil se sobressai: 35 milhões deram algum tipo de ajuda financeira (8º no ranking global), 18 milhões dedicaram-se ao voluntariado (9º) e 65 milhões ajudaram um estranho (5º).
“Estar entre os dez países que mais disponibilizam o apoio de voluntários deve ser motivo de orgulho e, principalmente, um incentivo para melhorarmos ainda mais nossa posição no ranking de voluntariado no mundo”, comenta o diretor presidente do IDIS, Marcos Kisil.
A Charities Aid Foundation faz a pesquisa desde 2007, e a má notícia é que, nos últimos cinco anos, os resultados mostram uma queda em todos os três tipos de caridade. A ajuda a estranhos, por exemplo, era praticada por 47% da população mundial, em 2007, mas a proporção caiu para 45,1% em 2011. Já a doação foi de 29,8% para 28%, e o voluntariado, de 21,4% para 18,4%.
As variações podem estar ligadas à flutuação da economia global, segundo o relatório. A pesquisa de 2011 captou a segunda queda acentuada nas ações de solidariedade. Na primeira, em 2009 – ano em que os efeitos da crise econômica foram mais intensos –, as três formas de caridade caíram a seus níveis mais baixos. Houve a retomada em 2010, mas nova queda em 2011. A estimativa é que, em relação a 2010, 100 milhões de pessoas a menos participaram de alguma atividade de caridade
Outro fator parece estar associado à variação dos níveis de solidariedade: os desastres naturais. O relatório cita o exemplo do terremoto na região italiana de Aquilla, em 2009. Naquele ano, 62% dos italianos doaram dinheiro. No ano anterior, apenas 44% fizeram o mesmo e, no ano seguinte, 33%.
Usando dados do World Disasters Report 2012, a pesquisa mostra que os anos de queda na caridade, 2009 e 2011, foram também os únicos, desde 2002, em que se registraram menos de 600 desastres naturais no mundo.