Revolução dos baldinhos

20/08/2018 15:58

Moradores do Condomínio Grande Lago, em Foz do Iguaçu (PR), começaram a transformar o lixo orgânico produzido nas casas em adubo por meio da compostagem. O fertilizante natural está sendo usado para o plantio de hortas que vão proporcionar aos participantes alimentos frescos e uma alimentação mais saudável.

O projeto Revolução Grande Lago - Compostagem entre Amigos, iniciado em julho, tem investimento social de R$ 83 mil da Fundação BB. Conforme cada etapa do MUTS, primeiro foi reaplicada a tecnologia social “Transformando realidades por meio da mobilização e organização comunitária”, que gera integração entre os moradores e engajamento para solucionar os problemas comuns. Na segunda etapa, os participantes escolheram a metodologia “Gestão comunitária de resíduos orgânicos e agricultura urbana", conhecida por Revolução dos Baldinhos. O nome é uma referência à forma como são descartados os resíduos orgânicos: cada morador vai depositando em um balde na própria residência. Depois, despeja o balde cheio em um tambor de 50 litros, também chamado de bombona, que por sua vez é utilizada para destinar os resíduos para a composteira.

Nina Nassif, presidente da Associação de Moradores do Grande Lago, explicou que os moradores tiveram uma surpresa positiva, pois achavam que o resíduo orgânico acumulado ia produzir mau cheiro, o que não aconteceu. Ela considera como etapa mais importante da Revolução dos Baldinhos a atividade inicial de conscientização e mobilização dos moradores. “A comunidade precisa estar junta no processo”, destacou. Nina afirmou que os moradores estão interessados em vender o adubo para gerar renda para o condomínio e a manutenção do projeto. “É uma tecnologia barata, social, e que pode ser reaplicada. Está sendo uma experiência muito boa, prazerosa, em busca da preservação ambiental. É um orgulho as mulheres estarem se doando para um trabalho que é para a comunidade toda”, comentou.  

Júlio César Maestri, engenheiro agrônomo da Cepagro, explicou que a reaplicação da metodologia tem levado à valorização das mulheres na comunidade. Para facilitar a execução do projeto, Júlio mantém um grupo de mensagens com os moradores do condomínio para esclarecer dúvidas e dar orientações aos participantes. “É um processo complexo, e elas estão atuando muito bem”, afirmou.

Lusiani Zanuzo, diretora de serviços urbanos da Secretaria de Meio Ambiente de Foz do Iguaçu, coordena a área de limpeza urbana do município. A gestora parabenizou a iniciativa desenvolvida no Residencial Grande Lago: “Eu acho muito importante esse trabalho desenvolvido no condomínio. Vejo como uma revolução na questão social e ambiental”. Ela informou que a secretaria está auxiliando o pessoal do Grande Lago com o fornecimento de poda de grama e galhos triturados, que são utilizados no processo de compostagem. 

Edital MUTS

Nova seleção está aberta para entidades interessadas em reaplicar metodologias em empreendimentos habitacionais populares. A segunda chamada do edital está com prazo de recebimento de propostas até 31 de agosto.

As entidades selecionadas irão realizar trabalho de mobilização comunitária nos residenciais destinados à população com renda familiar até R$ 1.800. O trabalho consistirá na reaplicação de tecnologia social chamada “Transformando realidades por meio da mobilização e organização comunitária” que busca promover a cidadania, os laços entre os moradores e a organização coletiva para buscarem soluções dos problemas no condomínio.

Desde o início, o projeto já atendeu 62 conjuntos habitacionais, com aproximadamente 31 mil moradias, 110 mil moradores em 47 cidades. Desses empreendimentos, 24 conjuntos habitacionais já escolheram a segunda tecnologia, sendo que em 16 as atividades já foram concluídas.  

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